Apenas Eu

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Marcos Sodré
Armação dos Búzios, Rio de Janeiro, Brazil
Errante viajeiro pelo universo das palavras. Palavras que, geralmente, desejam expressar mais que aquilo que realmente conseguem dizer. Palavras resultantes de uma ebulição de sentimentos humanos; os quais pululam agora mesmo dentro de mim. Já fui inocente, já fui culpado, hoje sou remido. Já fui coração, já fui razão, hoje sou sensato. Já apanhei, já bati, hoje prefiro não brigar. Já tive pena dos outros. Já tive pena de mim. Hoje prefiro mudar, ajudar, levantar. Já acreditei em papai-noel. Já acreditei em políticos. Hoje acredito em Deus, o que me permite sonhar ainda mais alto. Se pudesse sozinho mudar o mundo, O faria agora, começando pelo meu.
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Quinta-feira, 25 de Junho de 2009

Crepúsculo


De aqui da sacada vislumbro
Sob o crepúsculo deste entardecer
Ela que se vai sem remorso
Deixando comigo a dor
Em busca de me esquecer

Cabelos ao vento se vão
Sem ao menos olhar para trás
Já não a reconheço
Não sei se é mesmo ela quem vai

Ainda sinto seu gosto
Seu sangue em minha boca está
Sofro a metamorfose em mim
Não sei se sou vítima dela
Ou se ela minha vítima será

Pele alva e delicada
Jamais voltarei a tocar
Com ela findou-se o crepúsculo
A noite já vem me abraçar

Um adeus, ao menos, desejei
Para que pudesse sair da sacada
Entrar, e fechar as portas então
Sabendo que não mais a terei
Sigo...
Vou cicatrizar meu coração

Enganoso Coração











Sonhei com amor proibido
Delirei em fantasias vãs
Não contive minha libido
Naveguei em perdido...
Devaneio...

Expectativas de infante
De travesso curumim
Por caminhos errantes
Em pedras cortantes
Desatino...

Doces lábios de candura
Silvestres e encarnados
Gracejada de ternura
Nela minha fissura
Desvario...

Alienado em sentimentos
Escusas esfarrapadas
Inventivos argumentos
Escassos instrumentos
Asneira...

Trapaceiro coração
Ilusório e catastrófico
Suscetível à emoção
Saqueou minha razão
Disparate!

Lamúria do devasso
Condenado culpado
Adeus ao abraço
Desfez-se o laço
Burrada...

Abraçam-me inteiro
Correntes de senilidade
Amor de forasteiro
Desgraça que nomeio
Equívoco.

Quinta-feira, 18 de Junho de 2009

Precisamos alongar nossos dias!

Dizem que todos os dias você deve comer uma maçã por causa do ferro. E uma banana pelo potássio. E também uma laranja pela vitamina C. Uma xícara de chá verde sem açúcar para prevenir a diabetes.Todos os dias deve-se tomar ao menos dois litros de água. E uriná-los, o que consome o dobro do tempo. Todos os dias deve-se tomar um Yakult pelos lactobacilos (que ninguém sabe bem o que é, mas que aos bilhões, ajudam a digestão). Cada dia uma Aspirina, previne infarto. Uma taça de vinho tinto também. Uma de vinho branco estabiliza o sistema nervoso. Um copo de cerveja, para... não lembro bem para o que, mas faz bem. O benefício adicional é que se você tomar tudo isso ao mesmo tempo e tiver um derrame, nem vai perceber. Todos os dias deve-se comer fibra. Muita, muitíssima fibra. Fibra suficiente para fazer um pulôver. Você deve fazer entre quatro e seis refeições leves diariamente. E nunca se esqueça de mastigar pelo menos cem vezes cada garfada. Só para comer, serão cerca de cinco horas do dia...E não esqueça de escovar os dentes depois de comer. Ou seja, você tem que escovar os dentes depois da maçã, da banana, da laranja, das seis refeições e enquanto tiver dentes, passar fio dental, massagear a gengiva, escovar a língua e bochechar com Plax. Melhor, inclusive, ampliar o banheiro e aproveitar para colocar um equipamento de som, porque entre a água, a fibra e os dentes, você vai passar ali várias horas por dia.Há que se dormir oito horas por noite e trabalhar outras oito por dia, mais as cinco comendo são vinte e uma.Sobram três, desde que você não pegue trânsito. As estatísticas comprovam que assistimos três horas de TV por dia. Menos você, porque todos os dias você vai caminhar ao menos meia hora (por experiência própria, após quinze minutos dê meia volta e comece a voltar, ou a meia hora vira uma).E você deve cuidar das amizades, porque são como uma planta: devem ser regadas diariamente, o que me faz pensar em quem vai cuidar delas quando eu estiver viajando. Deve-se estar bem informado também, lendo dois ou três jornais por dia para comparar as informações.Ah! E o sexo! Todos os dias, tomando o cuidado de não se cair na rotina. Há que ser criativo, inovador para renovar a sedução. Isso leva tempo - e nem estou falando de sexo tântrico.Também precisa sobrar tempo para varrer, passar, lavar roupa, pratos e espero que você não tenha um bichinho de estimação. Na minha conta são 29 horas por dia. A única solução que me ocorre é fazer várias dessas coisas ao mesmo tempo! Por exemplo, tomar banho frio com a boca aberta, assim você toma água e escova os dentes. Chame os amigos junto com os seus pais. Beba o vinho, coma a maçã e a banana junto com a sua mulher... na sua cama.Ainda bem que somos crescidinhos, senão ainda teria um Danoninho e se sobrarem 5 minutos, uma colherada de leite de magnésio. Agora tenho que ir.É o meio do dia, e depois da cerveja, do vinho e da maçã, tenho que ir ao banheiro. E já que vou, levo um jornal... Tchau!Viva a vida com bom humor!!!

Luiz Fernando Veríssimo

Terça-feira, 19 de Maio de 2009




O céu desabou em trevas sobre minha cabeça. Não reconheço a paisagem, nem consigo vislumbrar o horizonte. A previsão anuncia chuvas torrenciais e ventos impetuosos e devastadores. Não há por perto uma árvore que eu possa abraçar para tentar resistir. Estou vulnerável a qualquer oscilação. O mar se armou em ondas contra mim...a cidade do meu coração está inundada e assolada. Não há botes...não há uma saída sequer.
Fui pego desarmado, sem cordas, sem rádio, sem uma mão de socorro. Não há como comunicar-me. Não há a quem recorrer. Estou sendo submergido pela lama que tem se formado. Já não tenho forças. Já não tenho ar. Já não tenho vontade.
Os raios do sol há tempos já não se fazem sentir... meus ossos estão quebradiços e minha pele mui sensível. As correntes me tem levado pelas ladeiras. Tenho me chocado em postes e muros, em escombros e restos daquilo que um dia foi construído.
Estou desfigurado, sinto isso...talvez se me encontrasse frente a um espelho não me reconheceria. Não me reconheço olhando para mim mesmo, neste instante. Minha voz trêmula revela meu temor e minha falência...não vislumbro a salvação...não sei o destino dos outros habitantes...
Meu corpo já etá tomado...dou minha última inspiração com o nariz para fora...não há mais tempo...afundo...mas permaneço com as mãos voltadas pra cima...

Segunda-feira, 20 de Abril de 2009


Quando na minha juventude, conheci uma mulher daquelas que se diz ser pra casar. O fato que faz toda a diferença, no entanto, era que ela já possuía matrimônio. E o fato que faz pesar ainda mais este fato, é que o marido de Joana era o André, meu melhor amigo desde a infância. Tudo, ou quase tudo, fazíamos juntos. De trabalhos escolares às mais terríveis peripécias.
Quando conheceu Joana, André estava em viagem a trabalho, por isso minha ausência neste momento. Lá mesmo André se fez casar, pois devia voltar à nossa cidade e não poderia ter consigo Joana, não fosse por contração de matrimônio. A conheci na festa de debutante da irmã do André. Ela estava ajudando na ornamentação... Joana se confundia com as próprias flores que arrumava nos arranjos. Linda como jamais se viu. Seus cabelos alcançavam as partes de seu rebolar natural. Com olhos amendoados e silhos negros de um rímel que marcava, ainda mais, o seu olhar e uma pele alva, porém rosada pelo sol sempre presente em nossa cidade, Joana encantava a todos.
Minha vontade era, como a da maioria dos homens e meninos presentes, a de raptá-la e fazê-la minha. Mas há, ainda, um outro fato que se faz pesar, eu não estava só. Acompanhava-me Maria, minha recente namorada. Maria era mulher recatada, não se dava a muitas intimidades. Amava-me, ou ao menos dizia amar-me. De boa e brava família, duramente me fazia penar até que o casamento fosse oficializado. Eu em minha voraz fome juvenil, não resistia olhar e buscar quem pudesse aliviar minha tensão.
André apresentou Joana, e com um sorriso de canto boca, daqueles que dizem mais do qualquer palavra poderia expressar naquele momento, Joana deu-me seu rosto a beijar. Não fiz-me de rogado, beijei-a com o respeito que a esposa de um melhor amigo exige. Mas meu olhar a caminho do beijo não pode deixar de estar cheio de desejo e más intenções. Iniciamos uma conversa, indaguei sobre sua vida antes do casamento, como era em sua cidade natal... gentilmente respondido por Joana, aproveitando-me da ausência de meu amigo que fora buscar bebida, elogiei tamanha beleza. Quão surpreso fiquei ao receber de volto o elogio, tendo Joana complementado que eu parecia com um ex-noivo seu, a quem ela muito amara.
Joana tinha uma flor no cabelo. Não sei o nome. Nunca fui bom nesses detalhes e até hoje prefiro não saber. Comentei com Joana que na minha casa, que ficava vizinha a casa do André, havia um jardim cheio daquelas flores que lhe enfeitavam a cabeça e outras também. Disse ela ser apaixonada por flores, e pediu-me que a levasse para conhecer meu jardim. Disse eu que a levaria no momento mais oportuno, uma vez que estávamos numa festa e que André e Maria estavam por ali ao redor. Joana insistiu em que a levasse no instante, de maneira que não pude negar-lhe este desejo.
Saímos como que fugidos, sem satisfação dar a quem quer que seja. Nem sei se notaram. Quando se deparou com meu jardim, Joana pareceu estar enfeitiçada pelo perfume das flores. Sentou-se em meio a elas, e abrindo suas voluptuosas pernas, convidou-me a deliciar-me em seus prazeres. Não tive tempo de fazer-me de rogado; estava ali o que eu desejara desde o momento em que fitei meus olhos em Joana. Sem pesar as conseqüências que poderiam advir daquela insanidade momentânea, preferi dar ouvidos aos hormônios e mergulhar entre ela e o jardim. Com seios tenros e um sabor carnal nunca antes experimentado por mim, Joana me apresentou movimentos até então desconhecidos. Posições que só tive ciência através de revistas. Vi naquele momento não ser grande a minha experiência, e a dela...sem comentários a altura. Joana apresentou-me o novo. Acrescentou sabores a algo que já gostava, e muito. Seus beijos, tão carnais, alcançavam a alma.
Ali ficamos não sei por quanto tempo: eu, ela, a lua e as flores. Desta noite, somente as flores poderiam reclamar alguma coisa, pois ficaram despetaladas. Mas ainda assim, duvido que fariam isso se pudessem, pois até mesmo elas devem ter sentido o prazer que emanava de nossos poros. Ao sairmos dali, Joana parecia jamais ter sido aquela mulher que possui em meu jardim. Novamente recatada e púdica, fazia bem o papel de mulher exemplar. Voltamos à festa. Voltamos a vida.Faz quinze anos desde aquela noite.
Estou há treze, casado com Maria. Nunca mais notei qualquer insinuação por parte de Joana. Nem eu jamais ousei revirar o defunto. Vivemos como se jamais tivesse existido aquela fuga. Seja nossa sorte ou azar, importa saber que as flores e a lua não falam.

Terça-feira, 31 de Março de 2009

Dia Cinzento

O dia se apresenta nublado lá fora, e aqui dentro tudo parece refletir o tom acizentado que faz anular o esplendor do sol. Há um sentimento que não sei qual é, mas que angustia e que rouba deste dia toda sua magia, toda a possibilidade de alegria.
Recorro, então, ao meu desabafo. Ao papel e a caneta que rascunhamminha previsão, como um grito solto em um lugar aberto. Com suas várias direções. Com seus muitos ecos.
Encontro-me extremamente insatisfeito com tudo o que sou. Com tudo o que me tenho tornado. Sinto saudades de um "eu" de antigamente; ou quem sabe, de um "eu" que jamais existiu, a não ser em minhas aspirações de inoscência. Necessito retornar ao início de tudo. Alguém, por favor, crie a máquina do tempo!!!!!
Preciso sentir novamente a intensidade do primeiro amor. Ter revigoradas as minhas forças para mais um percurso nesta longa jornada. Preciso honrar e valorizar os bens; quais sejam: o meu Deus, a minha esposa, a minha filha...a minha família.
Como quem está nú, sinto a necessidade de vestir-me de um novo caráter, uma nova personalidade; um novo "eu" que seja menos embebido de mim mesmo, mas que tenha sua essência advinda do Lírio dos Vales.
É tempo de dissipar as cinzas nuvens para que seja possível contemplar e gozar do brilho da Estrela da Manhã. É tempo de nascer de novo; de morrer outra vez e despertar para o novo tempo, com o DNA da Água e do Espírito, enquanto ainda é possível.
Buscar, enquanto ainda se pode achar. Bater, enquanto ainda há quem me abra. Chamar, enquanto há quem me atenda. No entanto, o bem que eu quero não faço. E o mal que não quero está sempre diante de mim. Mas renovo minhas forças e sigo com este espinho na carne, confiando na Graça daquEle que me basta.

Quinta-feira, 12 de Março de 2009

É o sol, é a estrada, é o tempo, são os pés no chão


Eu vi o menino parado
Há muito tempo
Sentado ao pé do início daquele caminho

Eu pus os meus olhos nos seus pés inchados
Mas jamais os notei
O sol ainda castiga na estrada onde nuca foi rei

Eu vi a mulher indignada com outra pessoa
E nada mudou desde que me deparei com aquela briga
A vida e seu contraste coma morte

A lição mais dura que a vida ensinou
O sol ainda nçao brilha na estrada, mas não a deixou
E esta fraqueza me leva a chorar

Esta fraqueza é minha
Por isso é que penso, as vezes, em parar
Por isso essa dor tamanha

Já tenho cabelos brancos, mas não sou artista
O tempo não existe, no entanto sempre permanece
Aqueles que correm do jogo
Tem medo do fogo da desilução
É o sol, é a estrada, é o tempo, são os pés no chão.

Quinta-feira, 5 de Março de 2009

Beleza Inigualável

De onde vem tamanha formosura
Que faz-me admirar-te como uma quimera
Que faz-me pensar num “quem me dera”
Que embriaga-me com suave odor de primavera?

Qual a fonte de tamanha beleza
Que faz-te parecer com a realeza
Que presenteia-te com status de nobreza
Que em teu olhar põe o misto de amor e de firmeza?

Menina dos olhos encantados
Que mesmo parada enfeitiça.
Que mesmo calada cativa.
Que mesmo brava me inspira.

Que abala minhas estruturas
Com sorriso embriagante
Com postura elegante
Com jeito de infante.

És pedra preciosa
Com toque divinal
Pelo viço e doçura
Pelo encanto e ternura
Não há outra igual.

Momentos...

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